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O que esperar do mercado de trabalho nos próximos meses e anos?

A crise gerada pelo Covid-19 trouxe enorme impacto no mercado de trabalho em praticamente todos os setores no Brasil. Segundo estimativas, o número de desempregados no país pode chegar a 20 milhões após a pandemia. De acordo com um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, as medidas adotadas no mercado de trabalho atingiram cerca de 53% das famílias brasileiras durante a crise.

Mas não são apenas os números que indicam uma profunda transformação pela qual empresas e autônomos passarão nos próximos meses e anos, certamente a mais profunda dos últimos tempos. Isso porque algumas das soluções implementadas na pandemia podem se tornar uma realidade ainda maior.

Home office será uma tendência na maioria das empresas a partir dos próximos meses. Foto: Divulgação/Pexels

Uma delas é o home office, método adotado pela maioria das empresas desde março para minimizar a perda em produtividade. No entanto, o que veio para ser uma necessidade momentânea pode ganhar cada vez mais espaço no mundo pós-pandemia, sobretudo pelo impacto positivo em custos como eletricidade, por exemplo. “O que antes era uma história sobre o futuro, comprovou ser realidade. A gente já está vivendo o futuro, que foi antecipado por conta da crise. E isso tem impacto direto nas relações do trabalho”, aponta Roberta Kato, diretora-executiva da Kato Consultoria.

De acordo com um estudo realizado pela consultoria Cushman&Wakefield, que ouviu mais de 100 empresas de São Paulo e Rio de Janeiro, 40% das empresas que não trabalhavam em regime home office antes da pandemia passarão a adotar o método de forma definitiva. Destas, cerca de 15% dizem que podem reduzir o espaço físico até pela metade.

Capacitação será fundamental

Adaptação às tecnologias será um diferencial no mercado de trabalho pós-pandemia. Foto: Divulgaão/Pexels

A crise gerará uma taxa de desemprego ainda maior pós-pandemia, o que consequentemente deve acirrar ainda mais a disputa por vagas. Esse cenário, aliado às transformações sociais e nas relações de trabalho, trará uma necessidade de que os trabalhadores se capacitem cada vez mais para ficarem à frente nessa “corrida” pelo emprego.

O domínio de língua estrangeira (muitas vezes, até mais de uma) que já era fundamental terá um peso ainda mais claro. Com um cenário mais competitivo, será uma exigência cada vez maior a fluência do inglês, de preferência com domínio do vocabulário mais avançado para determinados setores como engenharia, farmácia, finanças e turismo. Portanto, aprender a linguagem técnica específica para cada área pode ser um enorme diferencial entre os candidatos.

Outras competências técnicas, como o domínio de novas tecnologias, também serão cruciais para sobreviver no mercado de trabalho pós-pandemia. Isso porque a crise mostrou que as empresas que sobreviveram foram as que melhor se adaptaram as alternativas trazidas pela tecnologia.

“A realidade é que tecnologias como inteligência artificial, big data, Internet das Coisas, realidade virtual e aumentada e robótica tornarão os negócios mais resilientes a futuras pandemias, e qualquer pessoa que possa ajudar as empresas a explorar essas tecnologias estará em vantagem” diz o especialista Uranio Bonoldi, professor de MBA da Fundação Dom Cabral, em entrevista à Folha Dirigida.

No entanto, não serão necessários apenas competências técnicas como domínio de língua inglesa ou outros idiomas e adaptação às novas tecnologias. O mercado de trabalho dará ainda mais ênfase a colaboradores que se destaquem em competências emocionais, como resiliência, inovação, criatividade, inteligência emocional e liderança.

Empreendedorismo deve crescer

Outra consequência esperada para o futuro do mercado de trabalho é o aumento do número de trabalhadores autônomos, já que a crise levou inúmeras empresas ao fechamento – o que tem como consequência direta a perda de postos de trabalho. Só em março e abril, mais de 1 milhão de vagas com carteira assinada foram fechadas no país.

Especialistas acreditam que a necessidade pode estimular o empreendedorismo em todo o país e impulsionar o número de negócios no regime de Microempreendedor Individual (MEI), que atualmente está na casa dos 10 milhões.

Mais do que impulsionar o empreendedorismo, a crise deve trazer ainda mais holofotes para os setores de inovação e estimular a cultura criativa dentro das empresas. “A crise do novo coronavírus obrigou as empresas a serem mais ágeis e inovadoras para buscarem novas formas de venda, prestação de serviço, interações com colaboradores, fornecedores e clientes. A pandemia fez com que elas tornassem suas operações mais digitais”, diz o professor Marcelo Nakagawa, do Insper, ao site da Revista Época.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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